Supostamente, alguém beirando os 28 anos já devia estar com a vida aprumada – uma profissão de verdade, um bom emprego, se já não possuir uma família com marido e filhos, ao menos um relacionamento estável deve estar rolando. Supostamente, repito, pois eu, uma sagaz vivente semi-balzaquiana, não tenho eira nem beira, pinto para dar água, objetivo de vida ou coisa que o valha.
Torro todo meu salário – não que seja desafiador gastar essa imensa fortuna em questão de horas – em noites vazias regadas a álcool e cigarros. Teimo em brincar com uma gastrite prestes a se tornar uma úlcera – agora vou me cuidar. Troco de companhia masculina conforme meu humor – ainda estou podendo, obrigada Senhor. Tenho dois cachorros que mais parecem duas crianças mimadas.
Sigo uma existência baseada no aqui-agora.
O rock flui em minhas veias junto a plaquetas, hemáceas, pequenas garrafinhas de skol beats e mini-cigarrinhos camel.
Costumo ir dormir com a voz de Eddie Vedder e Chris Martin ao pé do ouvido, mas estou escutando umas coisas novas, indie, como muitos rotulam as bandas pelas quais estou caindo de amores.
Procuro ler bastante, quase tudo que encontro. Meu irmão costuma dizer que leio até bulas de remédio. Tomo isso como um elogio.
Ando sem tempo para livros, mas leio cada palavra da Piauí, a revista lá do cara Moreira Salles. Difícil de encontrar nas bancas de Manaus, tomei logo uma providência e fiz uma assinatura. Conteúdo muito bacana.
Talvez por gostar de ler, sinto uma grande ânsia por escrever. Bem ou mal, cá estou eu, escrevendo. Novamente.
Um abraço.
Ouvindo: Guaranteed – Eddie Vedder